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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Continuar - Crucificar?



A questão impõe-se, afinal quem é o Deus ou o Terrorista?
Quem é o perdedor? É talvez aquele que está manchado de sangue e suga toda a escuridão do seu e do teu mundo... Será que estou sozinho nisto? Não, de certo seria egoísmo da minha parte.
O sangue brota dos meus poros, de todos os buracos negros, assim me despindo e me entregando, completamente despido de vergonhas, de culpas, de saudades, de arrependimentos e de uma realidade que teimo em não aceitar. O sonho deixa de existir e a febre de desistir, passa a apoderar-se do pobre terrorista por todos julgado.
Não tens vergonha de me deixar? Não tens vergonha de me abandonar numa escuridão repleta de sombras, de pequenos rasgos de sorrisos falsos e macabros? Não tens vergonha de me ver como um divertimento?
Não tens vergonha de me acusar de sonhar? De vergonha, de arrependimento, de saudade, de culpa, deixas entregue a minha meia alma, a minha meia vida, abandonada de forças e violada por uma poderosa arma carregada de utopia e cheia de força para mim. Será que estou sozinho neste tiroteio? Devo-me entregar? Como se estou sem forças e com vontade de desistir? Se todos têm a arma e eu não consigo fazer nada por ela, se todos conseguem ter meios para a disparar e eu não...porque tenho que continuar? Há vida para além de a conseguir disparar? Estou desarmado. Vem. Chega-te a mim e diz-me ao ouvido quem sou e do que sou capaz. Preciso de saber. Preciso de ti. Sozinho não estou a conseguir lá chegar. Estou cheio de amarras, estou selado.. Estou castigado. Liberta-me. Grita comigo ao mundo a chave da solução. Faz-me ser bafejado pelas tuas forças, pelas tuas capacidades, pela tua arma. Acerta em mim. A única vez que a consigo ter, somos um monólogo, o alvo sou só eu e porquê? Porque perdi as forças? Porque perdi as outras armas? Porque não percorri o caminho de todos? Sou eu e uma arma. Não te iludas. Sempre foi assim. Mas esta é a minha única. Porque não disparar? Continuar uma dor, só porque é ainda vestida de ouro aos olhos dos sábios? Ouro não. Ela está sem cor alguma, mas ninguém a aceita, assim, despida, como ela é. Cruel e apenas uma única vez carregada.. Não há muito mais para continuar. Agora. Faz pressão sobre ela, eu não consigo. Crucifica-me como tudo e todos desejam. Obrigado, agora deixa-me apodrecer. A ti, luta por todos conquistada, te entrego o meu sangue, aquele, que diziam ser de ouro...

N. Impossible Prince

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