![[amerlingfriedrichvonthetv2.jpg]](https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj1GHQoAaaqMOkMZX8H-EAL3n0A-9JsBOO19hv0LYToBd412Ut9hlyFNjj6Igfc0XHhzUaD627jG6nUBG3EoxLvNw3UIfp9Hh9n06JcdTDRA-aPcx5ybpg1eAaTVukfpLp9VxFcnQy-EFUi/s1600/amerlingfriedrichvonthetv2.jpg)
Por que me falas nesse idioma? perguntei-lhe, sonhando.
Em qualquer língua se entende essa palavra.
Sem qualquer língua.
O sangue sabe-o.
Uma inteligência esparsa aprende
esse convite inadiável.
Búzios somos, moendo a vida
inteira essa música incessante.
Morte, morte.
Levamos toda a vida morrendo em surdina.
No trabalho, no amor, acordados, em sonho.
A vida é a vigilância da morte,
até que o seu fogo veemente nos consuma
sem a consumir.
Cecília Meireles
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