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sábado, 5 de setembro de 2009

Soneto de Fidelidade

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De tudo ao meu amor serei atento

Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


Vinicius de Moraes, "Antologia Poética", Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1960, pág. 96.

2 comentários:

Anónimo disse...

Magnífico poema, bom gosto de quem o escolheu!
Que o amor seja infinito enquanto dure é o que nos move neste mundo de tantas desilusões, mas onde a chama do amor nos pode fazer resgatar um pouco da felicidade perdida. Abraço para ti, meu amigo.

AFSC disse...

Obrigado, simplesmente, adoro-o. Deixo-te outro abraço amigo Anónimo ;)