
Continuo a encontrar-me na noite. Não com os abutres, mas sim comigo.
O corpo avança com o tempo e a mente floresce. É então, que quando me encontro no meio da tabela do comum necessário, respiro, penso e encontro algumas respostas.
Estou a meio sim, daquilo que me é pedido pelo meio que me encontro e penso me identificar desde sempre. Hoje consigo, perceber onde estava a inocente lebre e onde estava a velha raposa. Tem sido mais fácil identificar as lebres e as raposas perdidas nestes campos nocturnos e becos perdidos com pequenos rasgos de luz artificial.
Cresce-se, a árvore começa a dar os seus frutos vermelhos, carregados, não só de frutos, como de tons mais pesados, que nos permitem agora uma melhor colheita. A perda da colheita anterior, agora, mais madura, dá para sentir, cheirar, respirar, o ar de despedida, do adeus.
Agora todos os dias, vemos a colheita perdida a apodrecer aos nossos olhos, a perder aquela cor tão bela, jovem e forte, mas que apenas, fora pintada por nós. As lebres, as raposas, os abutres.
Hoje, no meio de tanta fruta amadurecida, colhendo novas, conhecendo mais deste pomar, caminho melhor, mais solto, mais sozinho, mais sóbrio, mais reabilitado. Fiz o luto da última colheita daquele pomar, tão forte e tão quase único, pintado por mim, sozinho. Forte, consegui. Bastou, parar, reflectir, observar, viver, deixar vir até a mim a velha raposa, que não me irá ter em canto algum daquele pomar. Posso continuar e ver que nada perdi daquela colheita, apenas a libertação e a reflexão necessária, para saber colher melhores frutos e ter consciência do que é ou não, pintado por minha autoria. Aprender que é a minha cor que tem que permanecer, que é a minha árvore que tem que crescer, que não a posso mais deixar ser colhida, retirada deste pomar, que além dos outros, é bem mais... Por muito que deseje mais, é o meu. Por mais que deixe penetrar novas árvores, novos frutos, beber novos sucos e deixar-me evoluir com a novidade e a experiência, é o meu. É o meu único quadro, o meu único livro, a minha única música, o meu único filme, o meu único poema, a minha única letra, o meu único pomar que tem que permanecer. Vivo. Faz parte de mim, sou eu.
Impossible Prince
4 comentários:
E que pervaleça sempre aqui a tua árvore! Porque é de frutos assim que precisamos, porque é por existerem árvores como a tua que o sol se empenha diariamente para dar luz a este pomar.
E que novas colheitas surjam, e que com seca ou não, tenhas o suco que precisas!
Um abraço ;)
Aprender, aprender sempre.
Gostei muito do seu texto.
Um abraço
Há verdades que precisam de ser lembradas. Lembra-me disto mais vezes. Please.
aquele abraço =)
Muito interessante este teu texto... Gostei e foi bom ler =)
Na noite nunca me consigo encontrar. Na noite só encontro as minhas dúvidas e medos...
Mas espero que te possas encontrar sempre, e que as colheitas sejam sempre boas!
=)*
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