Páginas

terça-feira, 29 de maio de 2007

Uma tema da minha infância "Cego Raptor"

Uma tema que me marcou da minha infância, a minha mãe cantava esta música sempre que eu dormia com ela, porque quando era pequena também lhe era cantada e confesso que não gosto de ouvir em mais voz nenhuma sem ser na da minha mãe. :)
Hoje numa pesquisa da fantástica "internet" depois de tantos anos querer me relembrar da letra por inteiro, descobri hoje o tema desta música, numa versão de um grupo tradicional português.

O "Falso Cego" ou o "Cego raptor" é mais um exemplo das íntimas relações entre o romanceiro e a balada internacional. Nesta versão do grupo "Gaiteiros", conhecem-se sons instrumentais paralelos folclóricos na tradição framesi, franco-canadiana, provençal, italiana, anglo-escocesa e anglo-americana. É, por sua vez, um dos romances mais populares em Portugal e no Brasil, tendo sido recolhidas em território português 166 versões editadas e 228 inéditas, oriundas de Bragança, Vila Real, Porto, Braga, Aveiro, Viseu, Guarda, Castelo Branco, Santarém, Portalegre, Évora, Beja, Faro, Madeira e Açores. A versão aqui gravada, até agora inédita, foi recolhida no distrito de Viseu (concelho de S. João da Pesqueira), em 1989, por colectores do Instituto de Estudos sobre o Romanceiro Velho e Tradicional.

Aqui fica a letra do tema:
Era meia-noite quando o ladrão veio, bateu três pancadas na porta do meio.- Acorde, minha mãe, se já está dormindo, que ali está um cego, cantando e pedindo.

- Se ele canta e pede, dá-lhe pão e vinho, não canta nem pede, dá-lhe poucochinho.
- Não quero o seu pão, nem quero o seu vi quero que a menina me ensine o caminho.
- Vai pegar na roca, carrega-a de linho, ensina o caminho ao triste ceguinho.
- Já espiei a roca, já findei meu linho, adiante, cego, lá vai o caminho.
- Venha, ó menina, mais ali, além, sou curto da vista, eu não veio bem.
- Adiante, cego, além ao pinheiro, adiante, cego, lá vai o carreiro.
- Venha, ó menina, mais um bocadinho, sou curto da vista, não vejo o caminho, - Ó valha-me Deus e a Virgem Maria, tanta gente eu vejo, de cavalaria
- Esconda-se, ó menina, na minha capinha enquanto passa a gente de cavalaria.
- Adeus, minha casa com os meus olivais, adeus, ó meu pai, para nunca mais .
- Adeus, minha casa com minhas janelas, adeus, minha mãe, que tãofalsa eras. - Adeus, minha casa com seus arredores, Adeus, minhas primas, vou com meus amores.

Link

Sem comentários: